quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dia do Pantanal (Bioma Riquíssimo!)

Robô Philae pousa em cometa e envia dados




AFP - Agence France-Presse
Publicação: 12/11/2014 20:52 Atualização:



   

A Europa fez história nesta quarta-feira, ao conseguir pousar seu primeiro robô em um cometa, mas o veículo não se firmou adequadamente no solo, despertando preocupação no controle da missão.
O laboratório mecanizado, do tamanho de uma geladeira e com cerca de 100 quilos de peso, tocou a superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em uma manobra de alto risco, a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).
Mas, ao invés de se prender à superfície do corpo celeste após uma descida de sete horas a partir da Rosetta, a sonda à qual estava acoplado, o robô pode ter pousado em uma superfície macia ou quicado suavemente para depois se estabilizar.
"Assim, talvez hoje não tenhamos pousado uma, mas duas vezes", disse o gerente encarregado do módulo Philae, Stephan Ulamec, no centro de controle em Darmstadt, Alemanha, algumas horas depois do pouso.
"Esperamos estar lá, posicionados na superfície em uma localização sutilmente diferente daquela do pouso original e continuar a fazer ciência", prosseguiu.
Vários instrumentos a bordo de Philae já enviaram à Terra uma "montanha de dados", afirmou.
Os engenheiros ainda precisam descobrir o que levou o robô a falhar no lançamento do par de ganchos na superfície do cometa, desenvolvidos para evitar que se afaste do corpo celeste, que tem baixíssima gravidade. Até agora, sua sorte é um mistério.
"Será que apenas pousamos em uma caixa de areia macia e tudo está bem, embora não tenhamos atracado, ou será que algo mais está acontecendo?", questionou Ulamec.
Com as comunicações entre Philae e a sonda comprometidas nas próximas horas, algo esperado pois Rosetta desaparece na órbita atrás do cometa, pode ser que haja poucas informações antes do boletim à imprensa, previsto para as 13H00 GMT (11H00 de Brasília) desta quinta-feira.
- 'Um grande passo' -
Apesar das incertezas, houve comemoração quando o Philae se separou de Rosetta, como previsto, e se dirigiu para o "67P" depois de uma jornada de uma década e 6,5 bilhões de quilômetros.
Uma multidão de cientistas, convidados e VIPs, inclusive dois astrônomos ucranianos que descobriram o cometa, em 1969, comemoraram quando chegou à Terra o sinal, confirmando o contato com o cometa.
"Este é um grande passo para a civilização humana", disse o diretor-geral da ESA, Jean-Jacques Dordain.
"Nossa ambiciosa missão Rosetta garantiu seu lugar nos livros de História. Não apenas é a primeira órbita e o primeiro encontro com um cometa, mas agora também é o primeiro envio, de parte de uma sonda, à superfície de um cometa", prosseguiu.
O diretor de ciência planetária da Nasa, Jim Green, também comemorou o feito.
"Quão audacioso, quão excitante, quão inacreditável é conseguir pousar em um cometa, dar este passo que todos queríamos dar, de uma perspectiva científica", afirmou.
"É o começo de algo importante. O Sistema Solar é da humanidade: esta missão é o primeiro passo para conquistá-lo. Ele é nosso", prosseguiu.
Aprovada em 1993 e com custo de 1,3 bilhão de euros (US$ 1,6 bilhão), a missão Rosetta se lançou ao espaço em 2004, levando junto o módulo Philae, equipado com 10 instrumentos.
Sonda e robô alcançaram seu alvo em agosto deste ano, usando o empuxo gravitacional da Terra e de Marte como verdadeiros estilingues espaciais.
Philae deveria ter feito uma descida suave, a 3,5 km/h sobre "67P" e disparado um par de ganchos sobre sua superfície, garantindo estabilidade durante suas explorações científicas.
Na última checagem antes da separação, um problema foi detectado com o pequeno propulsor no topo do robô, criado para neutralizar qualquer recuo durante o pouso.
Mas a falha não foi considerada séria o suficiente para suspender a contagem regressiva.
Ao orbitar lentamente o "67P" desde agosto, Rosetta fez algumas observações surpreendentes sobre o cometa.
Seu contorno lembra de alguma forma o de um patinho de borracha, mais escuro que o carvão e com uma superfície retorcida e bombardeada por bilhões de anos no espaço, o que fez dele um ponto difícil de pousar.
A missão de Philae inclui perfurar a superfície do cometa e analisar amostras de marcadores de isótopos de água e moléculas complexas de carbono.
Em Toulouse, sul da França, o astrofísico Philippe Gaudon, que chefia a missão Rosetta na agência espacial francesa (CNES), afirmou que será difícil para Philae fazer perfurações no cometa se não estiver atracado.
"Apesar disso, Philae não tombou e parece estar se estabilizando", acrescentou Gaudon. "E vários instrumentos continuam a operar, sobretudo de medição de temperatura, vibração, magnetismo, etc".
Ele e outros cientistas esperam que as amostras da perfuração do cometa lancem luz sobre como o nosso Sistema Solar e até mesmo a vida na Terra foram criados.
Segundo a teoria corrente, os cometas bombardearam a nascente Terra 4,6 bilhões de anos atrás, trazendo para cá moléculas de carbono e a preciosa água, partes importantes da caixa de ferramentas fundamental para a vida no nosso planeta.
Philae tem bateria suficiente para realizar cerca de 60 horas de trabalho, mas pode continuar até março, com uma recarga solar.
O que quer que aconteça com sua carga, Rosetta continuará a acompanhar o cometa, analisando-o com 11 instrumentos quando orbitar o Sol no ano que vem. A missão está prevista para terminar em dezembro de 2015.

domingo, 9 de novembro de 2014

Reutilização da água poluída (Água de Reuso)

A reutilização ou reuso de água ou, ainda em outra forma de expressão, o uso de águas residuárias, não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água.

Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos.

O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Águas Residuárias

Águas residuais ou residuárias são todas as águas descartadas que resultam da utilização para diversos processos. Exemplos destas águas são:

Águas residuais domésticas:

Provenientes de banhos;
Provenientes de cozinhas;
Provenientes de lavagens de pavimentos domésticos.

Águas residuais industriais:

Resultantes de processos de fabricação.

Águas de infiltração:

Resultam da infiltração nos coletores de água existente nos terrenos.

Águas urbanas:

Resultam de chuvas, lavagem de pavimentos, regas, etc.

As águas residuais transportam uma quantidade apreciável de materiais poluentes que se não forem retirados podem prejudicar a qualidade das águas dos rios, comprometendo não só toda a fauna e flora destes meios, mas também, todas as utilizações que são dadas a estes meios, como sejam, a pesca, a balneabilidade, a navegação, a geração de energia, etc.

É recomendado recolher todas as águas residuais produzidas e transportá-las até a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Depois de recolhidas nos coletores, as águas residuais são conduzidas até a estação, onde se processa o seu tratamento.

O tratamento efetuado é, na maioria das vezes, biológico, recorrendo-se ainda a um processo físico para a remoção de sólidos grosseiros. Neste sentido a água residual ao entrar na ETAR passa por um canal onde estão montadas grades em paralelo, que servem para reter os sólidos de maiores dimensões, tais como, paus, pedras, etc., que prejudicam o processo de tratamento. Os resíduos recolhidos são acondicionados em contentores, sendo posteriormente encaminhados para o aterro sanitário.

Muitos destes resíduos têm origem nas residências onde, por falta de instrução e conhecimento das conseqüências de tais ações, deixa-se para o sanitário objetos como: cotonetes, preservativos, absorventes, papel higiênico, etc. Estes resíduos devido às suas características são extremamente difíceis de capturar nas grades e, conseqüentemente, passam para as lagoas prejudicando o processo de tratamento.

A seguir a água residual, já desprovida de sólidos grosseiros, continua o seu caminho pelo mesmo canal onde é feita a medição da quantidade de água que entrará na ETAR. A operação que se segue é a desarenação, que consiste na remoção de sólidos de pequena dimensão, como sejam as areias. Este processo ocorre em dois tanques circulares que se designam por desarenadores. A partir deste ponto a água residual passa a sofrer um tratamento estritamente biológico por recurso a lagoas de estabilização (processo de lagunagem).

O tratamento deverá atender à legislação (Resolução do CONAMA nº 020/86) que define a qualidade de águas em função do uso a que está sujeita, designadamente, águas para consumo humano, águas para suporte de vida aquática, águas balneares e águas de rega.

Tipos de Reuso

A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não:

Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração).Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico.O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado.Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

Aplicações da Água Reciclada

Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais.Irrigação de campos para cultivos - plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas.Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento.Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo.Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc.Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca.Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais.

Problemática no Brasil

No Brasil, a prática do uso de esgotos - principalmente para a irrigação de hortaliças e de algumas culturas forrageiras - é de certa forma difundida. Entretanto, constitui-se em um procedimento não institucionalizado e tem se desenvolvido até agora sem nenhuma forma de planejamento ou controle. Na maioria das vezes é totalmente inconsciente por parte do usuário, que utiliza águas altamente poluídas de córregos e rios adjacentes para irrigação de hortaliças e outros vegetais, ignorando que esteja exercendo uma prática danosa à saúde pública dos consumidores e provocando impactos ambientais negativos. Em termos de reuso industrial, a prática começa a se implementar, mas ainda associada a iniciativas isoladas, a maioria das quais, dentro do setor privado.

A lei nº 9.433 de 8 de janeiro de 1997, em seu Capitulo II, Artigo 20, Inciso 1, estabelece, entre os objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos, a necessidade de “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”. Verificou-se, por intermédio dos Planos Diretores de Recursos Hídricos de bacias hidrográficas - em levantamento realizado a fim de se conhecer mais profundamente a realidade nas diversas bacias hidrográficas brasileiras - que há a identificação de problemas relativamente à questão de saneamento básico, coleta e tratamento de esgotos e propostas para a implementação de planos de saneamento básico. Entretanto, não se consegue identificar atividades de reuso de água utilizando efluentes pós-tratados per sei. Isso deve-se ao fato, talvez, do ainda relativo desconhecimento dessa tecnologia e por motivos de ordem sócio-cultural. 

Mesmo assim, considerando que já existe atividade de reuso de água com fins agrícolas em certas regiões do Brasil, a qual é exercida de maneira informal e sem as salvaguardas ambientais e de saúde pública adequadas, torna-se necessário institucionalizar, regulamentar e promover o setor através da criação de estruturas de gestão, preparação de legislação, disseminação de informação, e do desenvolvimento de tecnologias compatíveis com as nossas condições técnicas, culturais e socioeconômicas.

É nesse sentido que a Superintendência de Cobrança e Conservação - SCC - da Agência Nacional de Águas, inova ao pretender iniciar processos de gestão a fim de fomentar e difundir essa tecnologia e ao investigar formas de se estabelecer bases políticas, legais e institucionais para o reuso de água neste país.

Fonte: ww.reusodeagua.hpg.com.br e ww

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

How To Survive The End of The World

http://channel.nationalgeographic.com/channel/how-to-survive-the-end-of-the-world/videos/itll-rain-for-the-next-300-years/?source=searchvideo

sábado, 1 de novembro de 2014

Fiquem de Olho!

O comércio está adotando uma pratica excludente que visa limitar o acesso da população ao crédito, com base num conceito chamado score, que avalia a possibilidade do cidadão dar calote no comércio e esse critério é adotado mesmo se o cidadão tem o nome limpo ou se  regularizou sua situação frente aos credores.
Do jeito que as coisas vão,  se essa prática excludente continuar, a economia vai afunilar e o país entrar em recessão, pois o que move a economia é o poder de compra do cidadão e quando este item lhe é tirado, quebra o ciclo de consumo e comercio, que dá vida a economia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ilhas da Linha meridionais: um novo mundo

Um paraíso subaquático no Oceano Pacífico, está sendo protegido graças ao projeto Pristine Seas, da National Geographic Society

Edição 175 - NATIONAL GEOGRAFIC BRASIL/Outubro de 2014 02/09/2014
por Kennedy Warne

NG - Um paraíso subaquático, que inclui as águas ao redor da remota Ilha Caroline, no Oceano Pacífico 

Um paraíso subaquático, que inclui as águas ao redor da remota Ilha Caroline, no Oceano Pacífico, está sendo protegido graças ao projeto Pristine Seas, da National Geographic Society.
“Se um extraterrestre visitasse a terra e quisesse conhecer um recife de corais, eu mostraria a ele o atol de milênio”, diz Enric Sala, explorador-residente da National Geographic Society.

E o que esse ET veria faz parte do que talvez seja o arquipélago mais bem preservado do Oceano Pacífico: as cinco ilhas conhecidas como Caroline (ou Milênio), Flint, Vostok, Malden e Starbuck – que juntas formam as Ilhas da Linha meridionais. As águas ao redor desses pontos, situados de 2 400 a 3 400 quilômetros ao sul do Havaí, estão entre as derradeiras intocadas em um oceano explorado à exaustão.

Agora essa área vai virar uma reserva protegida. Finalmente. Há pouco tempo, o governo de Kiribati estabeleceu, em torno de todas as ilhas, uma zona de 12 milhas náuticas na qual não se pode mais pescar, como parte de um esforço liderado pelo ecologista espanhol Enric Sala, no âmbito do projeto Pristine Seas [Mares Intocados], da National Geographic Society, que visa a documentar e preservar o que resta dos ambientes marinhos menos alterados do planeta. A criação de uma reserva nas Ilhas da Linha meridionais é algo que Sala busca desde que conduziu uma expedição científica na região em 2009. “Essas ilhas nos ajudam a entender perfeitamente o que significa o termo ‘intacto’. Desde a densidade de corais, biomassa de peixes, quantidade de superpredadores, biodiversidade, os dados ecológicos são impressionantes.”

Durante a expedição de 2009, os mergulhadores passaram mais de mil horas submersos ao largo das cinco ilhas. E ficaram assombrados com o que viram. Em alguns recifes os corais cobriam 90% do leito oceânico – bem mais do que os 5% a 10% encontrados no Caribe.

NG - Corais das Ilhas da Linha 

Os corais do mundo estão morrendo pelo branqueamento e por doenças, mas os das Ilhas da Linha (foto) seguem saudáveis. Para os cientistas, a chave está nos ecossistemas ilesos, nos quais todas as espécies nativas – incluindo as que se alimentam de plâncton – têm seu papel - Foto: Brian Skerry

Os cientistas também se surpreenderam com o excelente estado de saúde das comunidades coralinas. Por todo o Oceano Pacífico, os picos de temperatura da água, causados por eventos climáticos associados ao El Niño, provocaram a extinção de imensas extensões de corais. No entanto, os recifes nas Ilhas da Linha meridionais não parecem ter sido prejudicados. “Sabemos que essa região foi bastante afetada pelo aquecimento do mar e esperávamos constatar a morte de corais, mas vimos que os recifes estavam ilesos – e em excelentes condições”, comenta Sala.

Os corais tendem a mostrar maior capacidade de recuperação onde outros elementos do ecossistema marinho também estão prosperando. Em certas partes dos corais de Milênio, a densidade de mexilhões gigantes chega a 40 indivíduos por metro quadrado – uma abundância dificilmente vista desses animais tão requisitados por sua carne e suas conchas. “Os mexilhões gigantes foram dizimados na maioria das lagunas de atóis ao redor do mundo. Mas em Milênio os recifes estão cobertos deles”, diz Sala.

A espécie mais comum é a Tridacna maxima, conhecida por ali por um nome que soa contraditório, “mexilhão-gigante-pequeno”. São pouco maiores do que uma bola de rúgbi, mas que parecem anões ao lado dos moluscos bivalves, a Tridacna gigas, que chega a ter 1,3 metro de comprimento. À primeira vista, os pequenos gigantes parecem que usam batom azul ou verde. Na realidade, a cor vem de células de pigmento no interior de seus mantos carnosos, que se projetam como lábios quando a concha se abre.

Esses animais que se alimentam por filtragem funcionam como purificadores da água. Os microbiólogos que participaram da expedição mediram a concentração de bactérias em todos os atóis. Em Milênio, eles constataram o menor teor de bactérias. Estas são responsáveis por doenças em corais, peixes, mariscos e crustáceos. Um teor reduzido de bactérias na água do mar é a marca de um ecossistema saudável.

 

31/10/2014 03h00 - Atualizado em 31/10/2014 03h00


Pescadores têm de largar o ofício: 'O Rio São Francisco está morrendo'

Seca da principal nascente do Velho Chico foi descoberta durante incêndio.
Situação comprometeu 90% da pesca em Iguatama (MG).

31/10/2014 03h00 - Atualizado em 31/10/2014 03h00

Pescadores têm de largar o ofício: 'O Rio São Francisco está morrendo'

Seca da principal nascente do Velho Chico foi descoberta durante incêndio.
Situação comprometeu 90% da pesca em Iguatama (MG).

Anna Lúcia Silva Do G1 Centro-Oeste de Minas
 
Rio São Francisco está abaixo do nível normal (Foto: Anna Lúcia Silva/G1) 
Nível do rio já chegou quase na altura da ponte de 10 metros (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
 
A seca da nascente do Rio São Francisco, em São Roque de Minas, tem afetado de forma drástica uma das principais atividades econômicas da cidade de Iguatama, a 234 quilômetros de Belo Horizonte. Primeiro município a ser banhado pelo Velho Chico no Centro-Oeste do estado, a cidade está com 90% da pesca comprometida, segundo a Colônia de Pescadores Profissionais. De cima da ponte que cruza o rio, a imagem é desoladora. "É dramático olhar para baixo e ver lama e pedaços de madeira. A água acabou e esse rio está morrendo", lamenta Francisco Romoaldo dos Campos, pescador há mais de 30 anos.

A maioria dos 75 profissionais passa por dificuldades e muitos têm procurado alternativas para sustentar as famílias. Há cinco anos, Pedro Henrique Soares pesca no Rio São Francisco. Porém, com a seca rigorosa deste ano, ele precisou recorrer a outros meios para manter a família. “Trabalho como servente de pedreiro para ganhar dinheiro. Não podemos parar de comer, não é? Da pesca não dá para viver mais, pelo menos por enquanto. Então o caminho é buscar alternativas, e me tornei servente até a chuva encher de novo esse rio.”
 
Em locais onde os barcos a motor entravam da margem para seguir até a parte central do rio restaram apenas alguns filetes de água. Por isso, a navegação agora só é feita por meio das canoas. “Não há condições de entrar com o barco. O motor bate no solo por não ter mais água. Há alguns anos o rio quase transbordava na ponte que tem dez metros de altura. Da pesca está difícil de viver”, afirma a secretária municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Luiza Augusta Garcia Leão.
 
Iguatama (Foto: G1 MG) 
 
O representante da Colônia dos Pescadores Profissionais de Iguatama, Geraldo Pereira da Costa, de 71 anos, mostrou (veja vídeo ao lado) por onde já passou de canoa no rio – que hoje só tem árvores e terra seca. Há três anos, segundo ele, que a marginal que sustenta o rio não enche como antes. "Já andei de canoa em toda a extensão do rio e agora só tem terra. É claro que veio secando gradativamente, e essa seca não é só deste ano, apesar de ter sido a pior de todas. Isso é um reflexo de cerca de dez anos de estiagem, mas volto a dizer, seca assim eu nunca vi em 30 anos de profissão", conta.

Questionado sobre o que ele sente ao ver a situação do rio, o pescador se emociona e mostra a lagoa que sustentava o nível do Rio São Francisco. Hoje ela não existe mais. "Eu me sinto emocionado porque eu tirei sustento para minhas filhas desse rio. É preciso preservar, pois como que pode o São Francisco se alimentar das marginais se elas estão secas? Não tem jeito. O São Francisco vai secar, o Velho Chico vai morrer."


A rotina dos pescadores de Iguatama começa cedo em épocas normais de rio cheio – às 4h eles saem de casa. Antes, era possível pescar de 30 a 40 peixes num dia de trabalho. Agora quase não se pesca um. "Não passa disso. Um dia inteiro para pegar um peixe, e tem dias que nem isso consigo", lamenta Francisco Romoaldo.

Ficha - especial seca - Iguatama (MG) (Foto: G1)
O pescado é vendido na cidade, e cada pescador é responsável pela própria renda. Espécies como curimatã e piau são vendidas a R$ 15 o quilo. Cada peixe tem pesado, em média, oito quilos e, no fim do dia, Romoaldo recebe R$ 120.
Segundo os pescadores, os peixes mais caros no mercado da cidade são o surubim e o dourado, custando R$ 25 o quilo de cada um. Contudo, eles não encontram mais essas espécies no rio. “O que a gente acha é curimatã e piau, e quando acha. Além do mais, esses peixes têm normalmente 12 quilos, mas com a seca estamos achando de oito quilos. Isso é reflexo da falta de reprodução e de alimentos para o crescimento das espécies”, afirma Pedro Henrique.
Por se tratar da principal atividade de trabalho do município, os pescadores que comprovam viver da pesca e que são associados à Colônia de Pescadores Profissionais recebem uma espécie de seguro-desemprego entre novembro e março, quando ocorre a desova dos peixes, chamada de piracema. Eles param as atividades e recebem um salário mínimo por mês, segundo a secretária de Agricultura e Meio Ambiente. “O governo paga esse valor a eles para que os peixes possam se reproduzir sem interferência humana. Mas, para isso, o pescador precisa provar por meio de notas fiscais que vive da pescaria”, explica o representante da Colônia dos Pescadores.
Pescadores pedem conscientização no uso d emotores com 14 cavalos de potência (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Pescadores afirma que barcos potentes prejudicam o rio (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
Assoreamento
Além da seca, os pescadores apontam os barcos com motor de potência superior a 15 cavalos como responsáveis pelo assoreamento e baixo nível da água no rio, causadores da falta de peixes. Por isso, pedem a colaboração de quem usa esse tipo de motor. "Quando esses barcos entram na água, eles fazem ondas que sobem mais de dois metros e, na volta, trazem a terra da margem para dentro do rio, o que provoca o assoreamento e prejudica o esconderijo dos peixes, que são os buracos feitos no fundo do rio", diz o representante dos pescadores de Iguatama, Geraldo Pereira da Costa.
Dessa maneira, os peixes se tornam presas fáceis para os predadores e, inclusive, para o homem. "Somos pescadores e queremos os peixes, é fato. Mas o problema disso é que os amadores se aproveitam e pescam as espécies pequenas. Não há tempo para esses peixes crescerem e muito menos para se reproduzirem e gerar uma maior quantidade", explica.
Além disso, o movimento dos motores desses barcos desloca as figueiras, árvores de até 15 metros, comuns na mata ciliar e que protegem o curso do Velho Chico. "O motor bate na base dessas árvores, que acabam despencando. Portanto, o que é proteção na margem também acaba desaparecendo. São inúmeros os problemas causados por esses motores de alta capacidade. Nós, pescadores, geralmente usamos barcos com quatro cavalos, então seria viável que as outras pessoas também adotassem essa mesma potência", afirma.
Nível do Rio ultrapassava base da ponte (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Há três anos nível do rio ultrapassava base da ponte (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
Enquanto a chuva não vem

Para amenizar os efeitos da seca, a prefeitura tem realizado o abastecimento do município por rodízio. Se antes os moradores tinham água em casa durante todo o dia, agora ela só chega à noite. Isso porque a vazão dos cinco poços artesianos em operação, que abastecem a cidade, era de 40 metros cúbicos por hora e, hoje, a média não chega a 15, segundo dados do chefe de gabinete, Alírio Muniz Leão.

"As máquinas dos poços trabalham para encher os reservatórios e, quando já estão cheios, liberam a água para a população. Anteriormente, quatro horas eram necessárias para atingir o limite de água. Hoje as máquinas trabalham 16 horas para tentar encher os reservatórios e ainda não são suficientes", afirma Leão.
 
Apelo
Na cidade, o carro de som de Gustavo Barbosa Siqueira circula nas vias pedindo que os moradores economizem água. Também são feitos anúncios em rádio com o mesmo apelo. Ainda assim, Gustavo conta que continua vendo atitudes lamentáveis. "Vejo as pessoas varrendo as calçadas com água da mangueira e lavando carros. É realmente lamentável, pois elas só terão consciência desse problema quando não sair nenhuma gota das torneiras."

Ainda como medida preventiva, o chefe de gabinete da prefeitura informou que estão sendo furados dois poços artesianos, cada um com 120 metros de profundidade. Um deles está em fase de licenciamento ambiental e o outro em liberação de outorga, o direito de uso de recursos hídricos. Além disso, o município tem dois caminhões-pipa, sendo um deles exclusivamente para atender a zona rural.
Em caso de escassez total da água, a cidade não tem onde recorrer. "Ninguém pensou nisso ainda e nem pensa. O subsolo da região é muito rico em água e esse é um caso inédito e totalmente atípico. Estamos confiantes de que a chuva vai chegar e nos abençoar", diz Alírio Leão.

AGRADECIMENTO A GLOBO.COM PELA EXCELENTE MATÉRIA!!!